PLANATUR aproxima-se do último ano: Benguela ficou esquecida? - Artigos de Opinião

PLANATUR aproxima-se do último ano: Benguela ficou esquecida?

PLANATUR aproxima-se do último ano: Benguela ficou esquecida?

A Caotinha e a Baía Azul constam das prioridades do Plano Nacional de Fomento ao Turismo 2024–2027. Com o prazo a avançar, importa saber o que foi executado, o que continua por fazer e quem responde pelos compromissos assumidos com a província.
Por Jorge Nunes
Estamos em Outubro de 2026 e o Plano Nacional de Fomento ao Turismo, conhecido por PLANATUR, aproxima-se do seu último ano de vigência. Aprovado em Março de 2024, com horizonte até 2027, o documento criou expectativas sobre a transformação de alguns dos nossos recursos turísticos em destinos com melhores condições de acolhimento. É, por isso, altura de avaliar o que saiu do papel.
Em Benguela, essa avaliação deve começar por uma pergunta muito concreta: o que aconteceu às intervenções previstas para a Praia da Caotinha e para a Baía Azul?
O plano identificou instalações sanitárias, sinalética turística, lojas de conveniência, ordenamento do espaço marinho e portagens em ambos os locais, acrescentando um miradouro na Caotinha. São compromissos expressos no documento, que justificam um ponto de situação público.
Para quem acompanha o turismo na província, a percepção é de que estas intervenções continuam sem o avanço esperado. O PLANATUR parece ter perdido centralidade, e Benguela corre o risco de chegar ao fim deste ciclo com as mesmas necessidades que justificaram a sua inclusão no plano.
Essa percepção merece uma resposta. Se existem trabalhos realizados, devem ser apresentados. Se existem projectos em preparação, importa conhecer o calendário. Se há constrangimentos financeiros ou administrativos, devem ser explicados.
O que não podemos é continuar sem conseguir perceber em que ponto estamos.

O turismo também se constrói nas condições básicas

Uma instalação sanitária com água, limpeza e manutenção tem impacto directo na experiência de quem visita uma praia. A sinalética ajuda a orientar, a informar e a promover comportamentos responsáveis. O ordenamento permite compatibilizar o lazer, as actividades económicas, a segurança e a preservação ambiental. Um miradouro bem concebido valoriza a paisagem e cria melhores condições para a contemplar.
É nesta escala, concreta e quotidiana, que também se constrói um destino turístico.
Podemos promover Benguela, divulgar as suas praias e convidar pessoas a conhecer a província. Mas cada convite cria uma expectativa. Quando o visitante chega, precisa de encontrar condições que sustentem a imagem que lhe foi apresentada. A promoção exige continuidade no terreno.
Os empresários também precisam dessa continuidade. Quem investe em alojamento, restauração, transporte, visitas guiadas ou actividades de lazer toma decisões com base nas condições existentes e nos compromissos anunciados. Quando uma intervenção pública se arrasta ou deixa de ter um calendário perceptível, torna-se mais difícil planear investimentos e desenvolver serviços complementares.
Por isso, a execução do PLANATUR interessa a toda a economia local. As melhorias previstas para a Caotinha e para a Baía Azul podem beneficiar moradores, pequenos comerciantes, operadores turísticos e visitantes. O seu valor deve ser medido pela utilidade que criam e pela capacidade de se manterem a funcionar.

As portagens exigem serviços e transparência

Há ainda um ponto que merece atenção: as portagens previstas para estes espaços. Qualquer modelo de cobrança deve ser explicado e associado a serviços efectivos, manutenção regular e transparência na utilização das receitas. Deve também considerar o acesso das comunidades locais.
Cobrar exige uma responsabilidade clara sobre aquilo que se entrega em troca.

Benguela precisa de um balanço e de um calendário

Aproximando-se o último ano do plano, o Ministério do Turismo, em articulação com o Governo Provincial e as administrações locais, deveria apresentar um balanço específico para Benguela. Que intervenções foram executadas? Que financiamento está disponível? Que procedimentos estão em curso? Quem assegurará a gestão e a manutenção dos equipamentos? O que poderá efectivamente estar concluído até ao final de 2027?
Estas perguntas permitem avaliar resultados e corrigir atrasos enquanto ainda há tempo.
Também é necessário ouvir quem trabalha diariamente no sector. Unidades hoteleiras, restaurantes, agências, guias e comunidades conhecem dificuldades que nem sempre ficam evidentes nos documentos. A sua participação pode ajudar a definir soluções úteis, adequadas ao território e sustentáveis depois da inauguração.
A sensação de que Benguela ficou esquecida não será ultrapassada apenas com uma nova declaração de intenção. Será ultrapassada com informação, responsabilidades assumidas e intervenções que a população consiga reconhecer.
Ainda há tempo para recuperar o foco e concretizar os compromissos. Mas esse tempo deve agora ser acompanhado por um calendário verificável.
Em 2027, Benguela deve poder olhar para a Caotinha e para a Baía Azul e identificar o que mudou com o PLANATUR. É essa prestação de contas que precisamos de começar a exigir hoje.
Documento de referência: Plano Nacional de Fomento ao Turismo 2024–2027.

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