Atribuído a Lucínio Cruz, o edifício dos Correios de Benguela data de 1950.
Integra o conjunto de “equipamentos públicos” concebidos na transição entre o neotradicionalismo formalista e a expressão moderna: mantém cobertura de telhado amplo mas substitui o beiral saliente por sanca reta em betão armado. O volume em torre pontua e remata lateralmente a composição, funcionando como marco urbano e elemento de hierarquização das fachadas.
Situa-se em Benguela (sede municipal/provincial), com posto dos Correios de Angola ativo na Rua Monsenhor Keilling, o que confirma a função postal em operação no tecido urbano central.
É um edifício de serviços/infraestruturas (correios/telecomunicações), tipologia recorrente na obra de Lucínio Cruz em África, vocacionada para simbolizar presença estatal e modernidade técnica através de uma estética disciplinada e racional.
Lucínio Cruz formou-se na Escola de Belas-Artes do Porto (1941) e trabalhou no Gabinete de Urbanização Colonial/Plano do Ultramar, deixando obra marcante em várias capitais africanas, é uma figura estudada pela historiografia da arquitetura portuguesa do século XX.