Açude do rio Catumbela com mais água para agricultura

Açude do rio Catumbela com mais água para agricultura

FOTO: JOSÉ HONÓRIO
FOTO: JOSÉ HONÓRIO

Catumbela - O volume de água bruta no canal do açude do rio Catumbela, na província de Benguela, aumentou de dois metros cúbicos para 3, 5 m³/segundo, hoje, segunda-feira, após trabalhos de limpeza, com a duração de quatro horas.

O trabalho de desassoreamento, que contou com a colaboração de 1.050 camponeses mobilizados pelo Gabinete de Aproveitamento Hidro-Agrícola dos Vales da Catumbela e do Cavaco, permitiu aumentar o nível de vazão do principal canal de irrigação e de abastecimento de água para as cidades de Benguela, Lobito, Baía Farta e Catumbela.

Em declarações à ANGOP, o director interino do Gabinete de Aproveitamento Hidro-Agrícola dos Vales da Catumbela e do Cavaco, agrónomo Raimundo Mussili, disse que o açude tem 7, 5 quilómetros de extensão até à Ponte 4 de Abril e é o único canal que irriga um perímetro de 3.317 hectares agricultáveis nas margens do rio Catumbela.

Daí destacar que, embora paliativa, esta acção de desobstrução - envolvendo homens e mulheres, é muito importante, pois, haverá mais água no canal do açude para irrigação dos campos.  

O agrónomo Raimundo Mussili explicou que a limpeza manual consistiu na retirada de lodo, areia e capim acumulados no fundo do referido canal, o que teria reduzido o volume de água, principalmente para a produção agrícola.

Segundo o responsável, por causa da erosão, o dique de protecção do rio Catumbela apresenta enormes fissuras, o que impede desviar água bruta para a irrigação nas margens do rio, onde, inclusive, os camponeses já sentiam os efeitos do caudal baixo.

Por isto, frisou, outro grupo de camponeses, munidos de picaretas e enxadas, trabalhou no enrocamento ao longo do dique para reter água para o canal de irrigação do açude, ou seja, repondo rochas no lugar certo, evitando dispersão do líquido útil ao campo.

“As necessidades hídricas são imediatas e, dada a falta de máquinas, os camponeses vieram trabalhar à mão”, salientou, acreditando que, se houvesse máquinas, o volume de água no canal seria de cinco metros cúbicos/segundo, permanentemente.

Com seis mil e 320 camponeses e 65 agricultores no activo, o município da Catumbela destaca-se na produção do milho, com 520 hectares de área semeada, ao passo que as hortícolas contam com 539 hectares e a banana 193 hectares.


Mais água para o consumo

Já o administrador técnico da EASL (Empresa de Águas e Saneamento do Lobito), Adilson Delaine, afirmou que a desobstrução do canal do açude repôs um equilíbrio entre a distribuição de água para o consumo da população e para o perímetro agrário da Catumbela.

Assim, adiantou, os 3, 5 metros cúbicos de água têm como destino, através do açude, a Estação de Bombagem de Água Bruta (EBAB) e, dali, para a Estação de Tratamento de Água (ETA).

Contudo, prevê mais “conforto” no funcionamento da EBAB, na Catumbela, e os consumidores, como garante, irão notar, dentro de pouco tempo, menos restrições na distribuição de água.

“Se não fizéssemos estes trabalhos, sentiríamos dificuldades no abastecimento de água para a população”, observou, lembrando que a limpeza manual no canal do açude é feita duas a três vezes ao ano, enquanto a mais complexa, com máquinas giratórias, de dois a três anos.

O administrador municipal da Catumbela, Fernando Belo, acompanhado de responsáveis do seu gabinete, acompanhou os trabalhos de limpeza. Antes, pelas zero horas, abriram-se as comportas do rio Catumbela para a passagem das águas, como medida de segurança.



Fonte:Angop




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