No eixo Huambo – Benguela, o Cubal é lugar privilegiado. A terra do sisal foi símbolo de progresso agrícola. Por décadas a fio, a cidade interior tinha os olhos postos no porto marítimo do Lobito que levava além-mar os seus frutos e a tornava próspera.
O Cubal sempre foi terra grande de Benguela. Longe das praias e do bulício litoral, os vastos campos eram baú imenso de tudo o que a terra dá. As plantações de sisal, sobretudo, deram fama a estas paragens pontuadas por maciços graníticos, já entrado o Planalto Central.
Conta a história que o primeiro europeu que aqui chegou vinha de Luanda e era conhecido por Yola-Yola. Com os benefícios atribuídos aos colonos que se internavam Angola adentro, Joaquim Ferreira (assim se chamava), impulsionou a cultura dos latifúndios nesta zona que se começava a desenvolver com a passagem do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).
Milho e gergelim eram as plantações mais populares na época. Mas seria o sisal o que iniciaria uma autêntica revolução.
A planta de cujas folhas é extraída a fibra chamada sisal foi introduzida em 1913, mas a primeira tentativa de industrialização falhou por falta de conhecimento técnico. As sementes estavam, no entanto, lançadas.
Entre 1927 e 1932, sociedades portuguesas e alemãs criaram plantações experimentais.
Fazendas e mais fazendas foram aparecendo e espalharam-se por todo o lado até à Ganda. Foi a época de ouro destas plantações do agave americano trazido até Angola por navios mercantes depois da 1ª Guerra Mundial.
Quando chegou a independência, Benguela era já a principal produtora de sisal em toda Angola. A contribuir para os números gordos, estava o Cubal.
As plantações eram imensas e exportações saiam para todo o mundo. A dinâmica económica da cidade era tal, que o CFB, que por aqui passava desde 1908, construiu em 1974 um ramal especial que encurtou a distância entre o Cubal e o Lobito em quase 40 km.
Com um crescimento económico notável, a 14 de Junho de 1961 Cubal transformou-se em concelho e em 23 de Janeiro de 1968 virou cidade. A vocação agrícola (e, em menor escala, ganadeira) nunca o deixou. Têm fama os ananases, mangas e bananas plantados na região.
Hoje, terminada essa época agrícola que encheu muitos bolsos, o passado de terra lavrada é um dos chamarizes para quem visita a cidade.
A antiga fazenda Santos e Pires, uma das mais importantes nos tempos lá atrás, chama-se agora Utalala e é uma das coqueluches da região. Os projectos de agro-turismo estão já aí.
O campo promete ser uma das grandes riquezas do município, feitos os investimentos necessários. Também a cidade pode impressionar.
Passear pelo Cubal e pelas suas ruas largar, é visitar a igreja colonial, no centro; os jardins do antigo Clube Desportivo da Ferrovia; o tribunal, as casas antigas de comerciantes ou a avenida 1º de Maio com as suas palmeiras imponentes.
Nas redondezas há outros pontos interessantes., como o rio Cubal, um dos grandes afluentes do rio Catumbela, que nasce nas serras interiores ali ao lado.
A barragem de Lomaum, construída nos anos 50 do século passado no curso do Catumbela, acaba também de ser reconstruída e está pronta para dar luz de novo a Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito.
Depois de 31 anos de parálise forçada, a barragem e a sua albufeira prometem ser uns dos lugares turísticos de excelência do Cubal. Entretanto, o caminho até à capital do sisal é, por si só, um espectáculo natural.
Enormes pedregulhos graníticos cruzam o horizonte em formas que a imaginação teima em interpretar. É o caso do morro dos dois irmãos ou da “zungueira”, imponente.
Aproveite também para conhecer as pequenas aldeias tradicionais mais ou menos à beira da estrada. E de tirar uma fotografia em escala real junto aos gigantes termiteiros que encontrará se tomar atenção à paisagem.
Fonte: redeangola