Lobito - O Soba Ekuikui 5, do Reino do Bailundo, presenciou sábado, no Lobito, província de Benguela, a devolução ao mar de 191 filhotes de tartaruga, no âmbito da protecção da espécie pelo projecto Cambeú.
Segundo a representante do referido projecto, a colombiana Luz Le Corre, o convite ao soberano do Bailundo visa, além da sua bênção, difundir a informação às comunidades para necessidade de conservação da espécie no meio ambiente.
Após uma exaustiva explicação, desde o momento da desova das tartarugas até a devolução ao mar, o soberano prometeu contribuir com a sua influência para que a conservação das tartarugas seja o mais abrangente possível, já que ela encontra-se em via de extinção. Luz Le Corre disse à ANGOP que as tartarugas desempenham um papel importante no mar, na medida em que eliminam os “venenos aí atirados” que causam consequências negativas aos peixes consumidos pelo ser humano.
“Das sete espécies de tartarugas a nível global, apenas duas delas são encontradas na costa angolana, principalmente a oliva, já que a de couro gigante, há mais de dois anos que nunca mais foi vista por cá”, informou a ambientalista. “Entre cerca 300 ovos de cada tartaruga, apenas 50 ou 60 continuarão vivas no mar até cerca de 12 a 15 anos, daí a importância em proteger esses animais”, explicou.
Segundo ela, o ano passado, nas praias da Restinga, no Lobito, e do Zaire, conseguiram atingir 15 mil filhotes e este ano ambicionam atingir ou superar esse número com a inclusão de mais um local de patrulha, as praias do Namibe.
Para o efeito, o “Projecto Cambeú” conta com cerca de 30 colaboradores treinados, para controlar o período da desova e o restante tratamento. Ao invés de esperarem que o animal faça a desova por si nas praias, normalmente entre Setembro e Janeiro, patrulham a zona inclusive no período nocturno e colocam os ovos em caixas e quando chegar o período de desova, fazem o lançamento ao mar.
O projecto Cambéu, protetor da espécie, existe no país (Lobito) desde 2019 e conta internamente com o apoio logístico da Soba Catumbela e no exterior com a Universidade de Aveiro, em Portugal, em termos de conhecimento científico.
Fonte:Angop