Malária e má nutrição superlotam pediatria do HGB

Malária e má nutrição superlotam pediatria do HGB

Benguela - Duzentas e setenta (270) crianças encontram-se internadas na pediatria do Hospital Geral de Benguela (HGB), contra as 252 camas disponíveis, devido a complicações decorrentes de malária, pneumonia e má nutrição, informou hoje (sexta-feira), à imprensa, a sua responsável, Ana Cardoso.

Falando em conferência de imprensa, Ana Cardoso disse que, apesar de não haver fartura, a sua área de trabalho não conhece rotura de stock, porém, a preocupação maior prende-se com a maneira como as famílias lidam com os casos das crianças que apresentam estados febris.

A responsável rebateu informações postas a circular nas redes sociais, sobre a suposta morte de uma criança por alegada falta de sangue, frisando que a unidade não tem problemas de sangue e que os casos de morte ocorrem sobretudo devido ao estado avançado de desnutrição que as crianças apresentam.  

“Muitas famílias não têm o hábito de acorrer às unidades sanitárias tão logo se manifestam as primeiras febres e isso leva a casos de desnutrição severa, associada a pneumonia, cujos números tendem a crescer”, sublinhou a médica pediátrica.

Aconselhou as famílias a procurarem antes os centros hospitalares, ao invés de recorrerem à medicina tradicional, o que periga a vida das crianças.

Indicou ainda que, em períodos anteriores, a pediatria do HGB dispunha de duas salas para albergar os petizes com casos de desnutrição grave, mas actualmente foi acrescida mais uma sala, acolhendo no total entre 86 a 90 crianças, incluindo aquelas provenientes da periferia da cidade.

Ana Cardoso informou que, para os casos normais, a criança, depois de observada, retorna à casa, devendo seguir um tratamento ambulatório, ao passo que, em situações mais graves, estas são diagnosticadas, internadas e medicadas com o “Artesunato”, uma droga recomendada para estas situações.

Por outro lado, Adelino Domingos, chefe da hemoterapia do HGB, informou que o centro necessita de, pelo menos, 30 doadores de sangue/dia, contra os actuais 15 balões disponíveis como reserva.

Apesar de a situação não ser “tão má”, este sector tem feito recurso ao hospital da comuna do Dombe Grande (município da Baía Farta), que apresenta boas reservas de sangue, além dos hospitais municipais de Benguela, Catumbela e do Lobito, sempre que necessário.

Localmente, informou Adelino Domingos, o centro de hemoterapia tem contado com o contributo de algumas instituições, entre religiosas e militares, principalmente em períodos comemorativos de suas efemérides, mas o ideal seria que essas doações fossem regulares e permanentes.

“Só no mês de Fevereiro, o centro catalogou 600 doadores, dos quais 567 doaram sangue (com a participação de 15 doadores voluntários, ou seja, aqueles que fazem doação não dirigida) ”, referiu.

Adelino Domingos disse que a maioria destes 567 dadores são tidos como de segundo plano, por serem doadores familiares, que só o fazem com pressão, já que dão sangue para acudir determinados parentes e muitas vezes são tidos como doadores não seguros, por omitirem informações que um voluntário nunca omitiria.

Segundo o especialista, sempre que haver necessidade de uma transfusão, o técnico necessita de pelo menos 15 a 60 minutos, já que este sangue deve ser usado a uma temperatura ambiente, mas conservado entre quatro a oito graus célsius, depois de reconfirmados o grupo sanguíneo, os testes de VIH, Hepatite B e C, sífilis e malária, apesar dos mesmos terem sido feitos já ao dador.

Para ilustrar, informou que só nas últimas 24 horas foram registadas 28 transfusões de sangue, 15 destas na pediatria, mas o centro de sangue apenas contou com 12 dadores.

Em relação a suposta morte de criança por falta de sangue, enfatizou que ninguém morre por falta de sangue no HGB, já que os hospitais relacionam-se entre si, havendo por isso sangue proveniente do Lobito e outras unidades hospitalares, mas a gravidade com que alguns doentes chegam à unidade sanitária leva a que alguns esforços resultem inglórios.

Condenou aqueles que fazem da acção de doar sangue um negócio, cujo sangue pode constituir algum risco para o próprio dador e o beneficiário.

O sangue dos grupos O- (O negativo), AB- (AB negativo) e RH- (RH negativo), têm sido os que dificilmente aparecem.

Fonte: Angop



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